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CANNABIS MEDICINAL É SAÚDE

A discussão sobre cannabis medicinal precisa sair do preconceito e entrar definitivamente no campo da saúde pública, da ciência e do direito ao tratamento. Existem pacientes e famílias que enfrentam dificuldades para acessar medicamentos e tratamentos prescritos, muitas vezes diante de custos que não conseguem suportar. Nenhuma família deveria ser abandonada porque um tratamento necessário está fora de seu alcance.

Defender o acesso à cannabis medicinal não significa defender o uso indiscriminado da substância. Significa discutir tratamentos reconhecidos no campo médico, acompanhamento profissional, regulamentação, pesquisa e acesso seguro. A política pública precisa ser capaz de separar ciência de preconceito e cuidado de criminalização.

Também precisamos olhar para as associações de pacientes, que em diferentes lugares passaram a desempenhar papel importante na organização de famílias, produção de conhecimento e busca por acesso. O poder público pode construir mecanismos de apoio, orientação e articulação para que essas iniciativas tenham segurança jurídica e possam contribuir para uma política de saúde mais acessível.

O Ceará também precisa participar da produção de conhecimento sobre o tema. Universidades, profissionais de saúde, pesquisadores, associações e gestores públicos podem construir uma agenda de pesquisa e formação que permita decisões baseadas em evidências. Uma política pública responsável precisa combinar acesso, controle, ciência e cuidado.

Para mim, falar de cannabis medicinal é falar de pessoas concretas. É falar de famílias que procuram alternativas para cuidar de quem amam. É falar do direito à saúde e da responsabilidade do Estado em garantir tratamento adequado. O debate precisa ser sério, humano e baseado em conhecimento.

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QUEM PRODUZ PRECISA VIVER DO SEU TRABALHO

O alimento que chega à nossa mesa carrega uma história de trabalho. Existe uma pessoa que plantou, cuidou da terra, enfrentou o clima, colheu, transportou e tentou encontrar um mercado para sua produção. Quando falamos em agricultura familiar, estamos falando de trabalhadores e trabalhadoras que precisam de condições para produzir e viver dignamente.

Fortalecer quem produz não significa apenas aumentar a produção. Significa criar condições para que o trabalho seja sustentável economicamente, socialmente e ambientalmente. Crédito, assistência técnica, organização cooperativa, infraestrutura, acesso à água e canais de comercialização são partes de uma política que precisa enxergar o agricultor como sujeito econômico.

As compras públicas podem cumprir um papel importante nessa construção. Escolas, equipamentos de alimentação e outras estruturas públicas precisam ser capazes de movimentar economias locais sempre que isso for possível. Quando recursos públicos chegam aos produtores do território, eles podem circular novamente na própria comunidade.

Também precisamos valorizar a agroecologia e os conhecimentos construídos por quem trabalha com a terra. Produzir de maneira sustentável não deve ser tratado como luxo ou moda. É uma forma de pensar a relação entre produção, ambiente, saúde e futuro. E os agricultores precisam ter condições concretas para fazer essa transição.

Defender quem produz é defender quem come. É fortalecer a economia local, cuidar do território e construir soberania alimentar. O Ceará tem gente que sabe plantar, criar, organizar e produzir. O papel do poder público deve ser criar condições para que esse trabalho seja valorizado e para que quem produz alimentos possa viver com dignidade.

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NUTRIÇÃO É SAÚDE

Quando pensamos em saúde pública, normalmente lembramos de consultas, medicamentos e hospitais. Mas a saúde começa muito antes. Ela também está naquilo que comemos, na maneira como nos alimentamos e nas condições sociais que determinam nosso acesso aos alimentos. Por isso, discutir nutrição é discutir prevenção, qualidade de vida e saúde pública.

Nutricionistas precisam ser reconhecidos como profissionais fundamentais dentro das políticas públicas. Sua atuação pode contribuir para escolas, unidades de saúde, equipamentos de alimentação, programas de segurança alimentar e acompanhamento das famílias. Uma política que leva alimentação a sério precisa contar com profissionais preparados para orientar, planejar e avaliar essas ações.

Também precisamos abandonar a ideia de que alimentação saudável é apenas uma escolha individual. Uma família que vive com renda insuficiente, enfrenta dificuldade de acesso a alimentos frescos ou não possui equipamentos adequados para armazenar e preparar comida não parte das mesmas condições que outra família. Saúde pública precisa considerar essas desigualdades.

É por isso que a política de nutrição deve dialogar com agricultura, educação e segurança alimentar. Não faz sentido falar em alimentação saudável sem discutir quem produz os alimentos, como eles chegam às escolas e comunidades e quanto custam. A alimentação está no cruzamento de várias políticas públicas.

Quero defender uma visão de saúde que cuide antes de adoecer. Uma visão que valorize profissionais, conhecimento e prevenção e que reconheça a alimentação como parte essencial da dignidade humana. Cuidar da alimentação é cuidar da saúde. E cuidar da saúde é cuidar das pessoas.

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POLÍTICA SE FAZ COM O POVO

Eu não acredito em uma política construída apenas dentro de gabinetes. As decisões que afetam a vida das pessoas precisam ouvir quem está vivendo os problemas todos os dias. Quem enfrenta a falta de água sabe onde ela falta. Quem depende do transporte sabe onde o sistema falha. Quem produz alimentos conhece as dificuldades da produção. Quem vive na periferia conhece problemas que muitas vezes não aparecem nos relatórios oficiais.

Participação popular não pode acontecer somente durante as eleições. Precisa existir antes, durante e depois. Uma democracia verdadeiramente participativa precisa criar espaços permanentes para que comunidades, trabalhadores, estudantes, agricultores, mulheres, pessoas com deficiência e juventudes possam apresentar demandas, acompanhar políticas e cobrar resultados.

Também precisamos recuperar a ideia de que política é construção coletiva. Nenhuma pessoa sozinha conhece a realidade inteira de um estado tão diverso quanto o Ceará. É preciso juntar experiências, conhecimentos e diferentes formas de organização. A política pública melhora quando quem será afetado por ela consegue participar de sua construção.

É nesse espírito que quero fazer política: ouvindo, organizando, propondo e cobrando. Um mandato não deve ser uma propriedade particular de quem foi eleito. Deve ser uma ferramenta colocada a serviço da população. Isso significa prestar contas, manter diálogo com os territórios e transformar demandas concretas em propostas e ações políticas.

Eu acredito que o Ceará pode construir um caminho diferente. Um caminho em que desenvolvimento não seja medido apenas por números econômicos, mas também pela capacidade de garantir comida, saúde, educação, cultura, trabalho, cuidado e dignidade. A política que eu defendo nasce do povo e volta para o povo. Porque, no fim, nenhuma transformação verdadeira acontece sem que as pessoas sejam protagonistas dela.