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CANNABIS MEDICINAL É SAÚDE

A discussão sobre cannabis medicinal precisa sair do preconceito e entrar definitivamente no campo da saúde pública, da ciência e do direito ao tratamento. Existem pacientes e famílias que enfrentam dificuldades para acessar medicamentos e tratamentos prescritos, muitas vezes diante de custos que não conseguem suportar. Nenhuma família deveria ser abandonada porque um tratamento necessário está fora de seu alcance.

Defender o acesso à cannabis medicinal não significa defender o uso indiscriminado da substância. Significa discutir tratamentos reconhecidos no campo médico, acompanhamento profissional, regulamentação, pesquisa e acesso seguro. A política pública precisa ser capaz de separar ciência de preconceito e cuidado de criminalização.

Também precisamos olhar para as associações de pacientes, que em diferentes lugares passaram a desempenhar papel importante na organização de famílias, produção de conhecimento e busca por acesso. O poder público pode construir mecanismos de apoio, orientação e articulação para que essas iniciativas tenham segurança jurídica e possam contribuir para uma política de saúde mais acessível.

O Ceará também precisa participar da produção de conhecimento sobre o tema. Universidades, profissionais de saúde, pesquisadores, associações e gestores públicos podem construir uma agenda de pesquisa e formação que permita decisões baseadas em evidências. Uma política pública responsável precisa combinar acesso, controle, ciência e cuidado.

Para mim, falar de cannabis medicinal é falar de pessoas concretas. É falar de famílias que procuram alternativas para cuidar de quem amam. É falar do direito à saúde e da responsabilidade do Estado em garantir tratamento adequado. O debate precisa ser sério, humano e baseado em conhecimento.

ARTIGOS

NUTRIÇÃO É SAÚDE

Quando pensamos em saúde pública, normalmente lembramos de consultas, medicamentos e hospitais. Mas a saúde começa muito antes. Ela também está naquilo que comemos, na maneira como nos alimentamos e nas condições sociais que determinam nosso acesso aos alimentos. Por isso, discutir nutrição é discutir prevenção, qualidade de vida e saúde pública.

Nutricionistas precisam ser reconhecidos como profissionais fundamentais dentro das políticas públicas. Sua atuação pode contribuir para escolas, unidades de saúde, equipamentos de alimentação, programas de segurança alimentar e acompanhamento das famílias. Uma política que leva alimentação a sério precisa contar com profissionais preparados para orientar, planejar e avaliar essas ações.

Também precisamos abandonar a ideia de que alimentação saudável é apenas uma escolha individual. Uma família que vive com renda insuficiente, enfrenta dificuldade de acesso a alimentos frescos ou não possui equipamentos adequados para armazenar e preparar comida não parte das mesmas condições que outra família. Saúde pública precisa considerar essas desigualdades.

É por isso que a política de nutrição deve dialogar com agricultura, educação e segurança alimentar. Não faz sentido falar em alimentação saudável sem discutir quem produz os alimentos, como eles chegam às escolas e comunidades e quanto custam. A alimentação está no cruzamento de várias políticas públicas.

Quero defender uma visão de saúde que cuide antes de adoecer. Uma visão que valorize profissionais, conhecimento e prevenção e que reconheça a alimentação como parte essencial da dignidade humana. Cuidar da alimentação é cuidar da saúde. E cuidar da saúde é cuidar das pessoas.