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QUEM PRODUZ PRECISA VIVER DO SEU TRABALHO

O alimento que chega à nossa mesa carrega uma história de trabalho. Existe uma pessoa que plantou, cuidou da terra, enfrentou o clima, colheu, transportou e tentou encontrar um mercado para sua produção. Quando falamos em agricultura familiar, estamos falando de trabalhadores e trabalhadoras que precisam de condições para produzir e viver dignamente.

Fortalecer quem produz não significa apenas aumentar a produção. Significa criar condições para que o trabalho seja sustentável economicamente, socialmente e ambientalmente. Crédito, assistência técnica, organização cooperativa, infraestrutura, acesso à água e canais de comercialização são partes de uma política que precisa enxergar o agricultor como sujeito econômico.

As compras públicas podem cumprir um papel importante nessa construção. Escolas, equipamentos de alimentação e outras estruturas públicas precisam ser capazes de movimentar economias locais sempre que isso for possível. Quando recursos públicos chegam aos produtores do território, eles podem circular novamente na própria comunidade.

Também precisamos valorizar a agroecologia e os conhecimentos construídos por quem trabalha com a terra. Produzir de maneira sustentável não deve ser tratado como luxo ou moda. É uma forma de pensar a relação entre produção, ambiente, saúde e futuro. E os agricultores precisam ter condições concretas para fazer essa transição.

Defender quem produz é defender quem come. É fortalecer a economia local, cuidar do território e construir soberania alimentar. O Ceará tem gente que sabe plantar, criar, organizar e produzir. O papel do poder público deve ser criar condições para que esse trabalho seja valorizado e para que quem produz alimentos possa viver com dignidade.